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Dia Mundial do Autismo: conheça Temple Grandin, autista que se tornou referência mundial em bem-estar animal

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Temple Grandin é uma personagem conhecida do mundo animal que, apesar de sofrer com o autismo desde a infância, soube aproveitar as vantagens oferecidas por sua grande capacidade de observação. A empatia de Temple Grandin com os animais contribuiu para garantir um maior bem-estar de vários deles, especialmente aqueles destinados à produção pecuária.

Temple Grandin é uma mulher que pode ser desconhecida por muitos em nosso país, mas seu impacto no bem-estar dos animais em todo o mundo tem sido gigantesco. Bacharel em Psicologia pelo Franklin Pierce College e com mestrado em Zootecnia na Universidade Estadual do Arizona, é Ph.D. em Zootecnia, desde 1989, pela Universidade de Illinois. Hoje ministra cursos na Universidade Estadual do Colorado a respeito de comportamento de rebanhos e projetos de instalação, além de prestar consultoria para a indústria pecuária em manejo, instalações e cuidado de animais. Grandin é a mais bem-sucedida e célebre profissional norte-americana com autismo, altamente respeitada no segmento de manejo pecuário.

O autismo, segundo ela, permitiu-lhe compreender melhor os animais e atuar como um elo entre o pensamento humano e o do resto da fauna.

A infância complicada de Temple Grandin

Temple Grandin nasceu em 1947 e teve uma infância difícil, pois conviver com o autismo foi complicado tanto para ela como para toda a sua família, rejeitando enormemente o contato humano; mas isso mudaria em sua adolescência, porque quando ela visitou uma fazenda da família, teve uma ideia brilhante.

A jovem Temple viu uma máquina que exercia pressão sobre as vacas para tranquilizá-las e inventou uma máquina para fazer o mesmo com as crianças que sofrem de autismo: um abraço mecânico que permitia aplicar o tão necessário contato para todos os primatas, mas sem que isso fosse feito por uma pessoa.

Outro dos fatos que a ajudaram a coexistir com seu autismo foi sua relação com os animais: andar a cavalo e estar entre as vacas tornou-a muito mais empática e, provavelmente, foi uma terapia mais poderosa do que sua própria invenção.

Temple Grandin e bem-estar animal

Ela decidiu que queria estudar psicologia e se especializar em comportamento animal, então dedicou sua carreira tanto para explorar o mundo do autismo quanto para melhorar o bem-estar dos animais.

Seu principal interesse era melhorar o bem-estar dos animais e publicou vários artigos sobre enriquecimento ambiental, manejo no transporte e sobre o estresse desses animais.

Graças a isso, uma infinidade de fazendas e frigoríficos nos Estados Unidos foram redesenhados, e suas implicações na melhoria da qualidade de vida dessas espécies são reconhecidas internacionalmente.

Temple Grandin nos garante que uma mente autista pensa em imagens e que está atenta aos detalhes; isso fez com que alguns dos cientistas e artistas mais brilhantes da história tivessem maior ou menor espectro de autismo.

Autismo e animais

Um exemplo claro para Grandin é como a maioria das pessoas não percebeu, em um determinado momento, o porquê um grupo de vacas não se aproximava do veterinário: havia uma bandeira tremulando na entrada, o que dava muita insegurança às vacas.

Essas mesmas ideias foram aplicadas ao projeto de instalações em várias facetas da produção animal; por exemplo, ela eliminou objetos pendurados, modificou formas e rotas e usou sua mente para visualizar outro modo de entender nossa relação com os animais.

Para Grandin, a natureza tem exemplos poderosos que relacionam autismo e animais: por exemplo, muitos animais se comportam de maneira semelhante a pessoas autistas em relação aos sons altos; a reação dela mesma a alarmes e tempestades a fez pensar nos animais com os quais ela vivia.

Essas ideias têm muitas aplicações; assim, as memórias que nos causam medo são indeléveis, e os traumas de pessoas autistas e espécies como o cavalo parecem ter causas e soluções semelhantes.

Esta mulher assegura que “todas as mentes são necessárias”: as mentes das crianças autistas e até mesmo as de outras espécies podem nos fornecer muitas soluções no nosso dia a dia.

Filme “Temple Grandin”

Cinebiografia da jovem autista Temple Grandin (Claire Danes) que tinha sua maneira particular de ver o mundo, se distanciou dos humanos, mas chegou a conseguir, entre outras conquistas, defender seu doutorado. Com uma percepção de vida totalmente diferenciada, dedicou-se aos animais e revolucionou os métodos de manejo do gado com técnicas que surpreenderam experientes criadores e ajudaram a indústria da pecuária americana.

Clique aqui e assista online.

Dia Mundial de Conscientização do Autismo

Nesta segunda-feira, 2 de abril, é celebrado o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. A data, estabelecida em 2007, tem por objetivo difundir informações para a população sobre o autismo e assim reduzir a discriminação e o preconceito que cercam as pessoas afetadas por esta síndrome neuropsiquiátrica. Os transtornos do espectro autista (TEA), como o próprio nome sinaliza, englobam uma série de diferentes apresentações do quadro, que têm em comum:

  • Maior ou menor limitação na comunicação, seja linguagem verbal e/ ou não verbal;
  • Na interação social;
  • Comportamentos caracteristicamente estereotipados, repetitivos e com gama restrita de interesses.

Neste espectro o grau de gravidade varia desde pessoas que apresentam um quadro leve e com total independência e discretas dificuldades de adaptação (por exemplo, autistas de alto funcionamento, síndrome de Asperger) até aquelas que serão dependentes para as atividades de vida diárias (AVDs), ao longo de toda a vida.

O autismo aparece nos primeiros anos de vida. Apesar de não ter cura, terapias e medicamentos e é claro, muito amor podem proporcionar qualidade de vida para os pacientes e suas famílias. O autista olha pouco para as pessoas, não reconhece nome e tem dificuldade de comunicação e interação com a sociedade.

Após o diagnóstico, os pacientes devem fazer uma série de tratamentos e habilitação/reabilitação para estimulação das consequências que o autismo implica, como dificuldade no desenvolvimento da linguagem, interações sociais e capacidades funcionais. Essas características demandam cuidados específicos e singulares de acompanhamento ao longo das diferentes fases da vida.

 

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