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Implantação de um sistema de irrigação de pastagem

O Brasil possui um grande potencial para produzir leite a pasto. Sua dimensão territorial e natureza climática permitem a produção elevada de biomassa. Os custos de produção de leite baseado em pastagem são os mais baixos e de maior competitividade em nível mundial (ASSIS, 1997; BROOKES, 1996). Segundo Aguiar e Almeida (2003), quando comparados os custo de matéria seca dos volumosos utilizados comumente em uma fazenda leiteira, observa-se que o alimento mais barato que se pode oferecer ao rebanho leiteiro é a pastagem manejada intensivamente, que possui um custo 5,2 vezes menor em relação ao feno de gramíneas; 3,77 vezes menor que a silagem de milho; 3,55
vezes menos que a silagem de sorgo e a de girassol; 2,20 vezes menor do que o capins elefante; e 2,00 vezes menor comparado com a cana com uréia.

O único dos fatores climáticos responsáveis pela estacionalidade da produção forrageira que o homem tem capacidade de interferir é o déficit hídrico, que pode ser eliminado através de irrigação. A escolha da forrageira ideal deve ser realizada com o  companhamento da temperatura em cada região (ROLIN, 1980).

Os objetivos da irrigação de pastagem são: eliminar a necessidade de suplementação volumosa na seca; equilibrar a produção da pastagem entre as estações de verão e inverno; alcançar alto desempenho animal sem usar concentrados; reduzir gastos com suplementação concentrada e volumosa; intensificar a produção animal por área, para obter maiores lucros e retorno na atividade; produzir a “carne ecológica” e o “leite biológico” (TEODORO 2002). Rolin (1994) cita que, em trabalhos realizados entre 1966 e 1978, pesquisadores obtiveram aumento de produção de forragem que variou entre 20 e 70% nas áreas irrigadas, durante um período de 150 dias, nas estações de outono-inverno da região do Brasil Central.

Segundo Chistofidis (2008), uma fazenda de media produção de carne no Brasil tem uma lotação de 1 UA/há e produz por 4,3 @/ha/ano, enquanto uma pastagem com irrigação comercial possui uma lotação de 6,3 UA/há, produzindo55 @/ha/ano.


A irrigação de pastagem, é uma técnica que não se adequada para qualquer local ou situação. A sua adoção exige uma série de requerimentos básicos que, se não forem observados, certamente tornarão a atividade inviável economicamente. (VILLELA, 1999). Vários sistemas podem ser utilizados para a irrigação de espécies forrageiras, por exemplo: aspersão convencional, pivô central, canhões autopropelidos, etc. Dentre eles, destaca-se o sistema de irrigação por aspersão em malha.


O sistema de aspersão em malha foi recentemente adaptado pelas Universidades de Uberaba com boa aceitação pelos produtores, principalmente, os pequenos. Neste sistema, as linhas laterais, de derivação e principal são enterradas, necessitando apenas da mudança dos aspersores. Com isso, a mão de obra é sensivelmente reduzida em comparação ao sistema de aspersão convencional. A tecnologia tem alta uniformidade de aplicação da água, viabiliza a fertirrigação, economiza água, energia e mão de obra. Além disso, reduz de 20 a 40% o custo de equipamento, tornando-se mais acessível aos pequenos produtores, permitindo o aumento da produtividade, o que pode refletir, substancialmente, na renda da família (EMBRAPA 2009).


O sistema de irrigação por aspersão em malha possui as seguintes características positivas : adaptação a qualquer tipo de terreno; baixo consumo de energia; utiliza tubos de PVC de baixo diâmetro interligados em malha; possibilidade de fertirrigação; facilidade de operação e manutenção; baixo custo de instalação e manutenção; possibilita a divisão da área em varias subáreas com cercas fixas (DRUMOND; AGUIAR 2005).


Rezende (2009), em seu trabalho de conclusão de curso, construiu um protótipo experimental na FAZU, de um sistema de irrigação por aspersão em malha e provou cientificamente que ao aumentar o numero de redes de derivação de um sistema de irrigação por aspersão em malha é possível irrigar piquetes inteiros.


As fases de planejamento e dimensionamento do projeto são os momentos mais adequados para se diagnosticar e realizar os ajustes necessários para minimizar os possíveis impactos ambientais resultantes da irrigação, de modo que os possíveis efeitos adversos da irrigação sejam minimizados (BERNARDO, 1997).


O sucesso da irrigação está diretamente relacionado à rentabilidade, sendo que um projeto mal dimensionado pode ocasionar perdas financeiras irreversíveis. Atualmente, varias meios de irrigação estão sendo instalados sem os devidos cuidados. Antes de iniciar um projeto de irrigação, é necessário identificar e analisar a viabilidade dos projetos. É fundamental estimar o volume exato de água para a obtenção de ótimas produtividades. O sistema escolhido terá que atender às necessidades hídricas da cultura implantada nas piores situações (REZENDE; FERNANDES 2008).


Para um correto dimensionamento, é importante obter a curva característica ou curva de retenção de água no solo, que é geralmente determinada em laboratório e de preferência a partir de amostras indeformadas. Ela representa uma propriedade ou característica físico-hídrica do solo que relaciona o conteúdo volumétrico de água e o potencial matricial do solo. Varia de acordo com a classe textural do solo, o conteúdo de matéria orgânica, grau de compactação, classe de solo, geometria dos poros e outras propriedades físicas do solo. (EMBRAPA 2002). 

Para a realização de um bom projeto deve-se fazer um levantamento planialtimético do local onde será implantado o projeto, com escala compatível com o tamanho da área e curvas de nível equidistantemente espaçadas.


Este levantamento deve ser bem detalhado, localizando-se a fonte da água, suas cotas, energia elétrica e outros detalhes que possam interferir na seleção do ´´layout`` do  sistema. Todo o planejamento deve ser realizado com base nesses dados, escolhendo-se a forma mais racional de utilizar o equipamento, principalmente no que se refere à economia de água e energia elétrica (DRUMOND; FERNANDES 2001).


Deve-se tomar cuidado com levantamentos rápidos, feitos com GPS´s de mão, que podem levar a erros grosseiros no projeto, comprometendo o sistema de irrigação. De posse destes dados, o projetista inicia os cálculos, dimensionando com a máxima eficiência. O melhor e o mais preciso aparelho para o levantamento planialeimétrico é a Estação Total, que écapaz de levantar todos os dados com rapidez, possibilitando definir os parâmetros de altura manométrica, distribuição das tubulações e pontos de aspersores. A locação do projeto no campo de irrigação também é feita com esse aparelho. (REZENDE 2009). 

Vinícius de Oliveira Rezende
Engenheiro Agrônomo

Publicada em: 06-Abr-2010